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FOLHA DA BÍBLIA

Atualizado: 18 de abr. de 2022

Cultivar ervas aromáticas num jardim nem sempre é tarefa fácil. Em primeiro lugar temos de conhecer as preferências da planta em relação ao tipo de exposição solar, às características do solo e qual a temperatura mais adequada. Mas, quem tem um jardim como o meu, onde convivem lado a lado, plantas de diferentes partes do planeta, esta é uma tarefa difícil. Assim, sempre que adquiro uma planta nova tento encontrar o local ideal no jardim para o novo ‘inquilino’, escolhendo o sítio que penso vai ser o mais indicado.

Tanacetum balsamita

Foi o que aconteceu com a hortelã-francesa, Tanacetum balsamita, uma planta que a minha grande amiga Lídia me ofereceu há alguns anos atrás. Sabendo que me interessava por ervas aromáticas a Lídia trouxe-me esta erva, que era usada na sua família para tratar distúrbios gastro-intestinais, constipações e problemas respiratórios em geral.

Plantei-a à sombra, …não gostou! Ao sol num terreno arenoso, …só não morreu por sorte! Depois de várias tentativas falhadas, consegui finalmente encontrar o local ideal; plantei-a junto a um muro, com muita exposição solar, e era tudo o que bastava para que a hortelã-francesa, agradecida, exibisse as suas folhas viçosas e libertasse um aroma fresco, que lembra o mentol, até parecia feliz por finalmente poder mostrar toda a sua exuberância.

Engane-se quem pensa que a hortelã-francesa produz de facto mentol, tal como a verdadeira hortelã-pimenta. É sim rica num outro óleo, carvona, (também presente na hortelã-de-leite, Mentha spicata, endro, Anethum graveolens e cominhos, Cuminum cyminum), que é provavelmente responsável por todas as virtudes medicinais desta planta. A carvona estimula a produção de glutationa, um antioxidante muito importante que o nosso corpo produz para reduzir inflamações e reparar os tecidos danificados em consequência de infeções. A glutationa é também importante para a eliminação de toxinas ambientais que provocam alergias.

É de facto uma erva com muito interesse medicinal, já conhecida dos nossos antepassados, mas era sobretudo cultivada nos jardins dos mosteiros, não só pelas suas propriedades medicinais, mas também para usar as folhas secas como marcador dos livros sagrados. Era por isso conhecida como folha da bíblia, usada pelos monges para proteger os livros preciosos contra a traça e também, talvez, para se manterem acordados durante os sermões mais prolongados, bastando para isso cheirar discretamente a folha e logo recuperar a atenção nas palavras do orador do momento. De facto a carvona, principal componente químico desta planta, tem a propriedade de repelir o inseto peixinho-prata (Lepisma) principal destruidor de documentos valiosos.

A hortelã-francesa é cultivada em muitas partes do mundo. O seu nome vulgar muda de país para país, na Inglaterra é conhecida como Costmary, na França, chama-se Herbe-de-Sainte Marie e na Alemanha, Balsamkraut.

A carvona é talvez o químico responsável pelas principais virtudes medicinais da planta, mas o facto dela também conter tujona (um dos componentes químicos do absinto), pode dar origem a controvérsias relacionadas com a forma como este químico atua no sistema neurológico. Esta polémica poderá suscitar dúvidas sobre o uso da hortelã-francesa como planta medicinal, principalmente quando usada com frequência. Por isso, por via das dúvidas, podemos sempre recorrer a outras ervas tais como a hortelâ-pimenta, o endro ou os cominhos, como alternativa, pois estas três ervas têm também uma grande concentração em carvona.

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